Como já era esperado pra essa época do ano, um sentimento de nostagia tomou conta de mim.
As lembranças que afloram na pele e o sentimento de que o passado é sempre melhor do que ele realmente foi.
A tristeza pelos tempos em que a risada vinha da diversão mais simples, em que reunir "todo mundo" era mais fácil. Quando o tédio não existia nem em dia de chuva e quando solidão era ter de dormir sozinha com medo do escuro.
Meu Natal nunca teve Papai Noel, mas criava uma expectativa (e como era difícil dormir na véspera da véspera!) e tinha toda uma magia que só existiu enquanto durou a leveza da minha infância.
Com a sensibilidade transbordando,
Comovo-me com a garoa caindo macia na pele,
E o cheiro de mato molhado me carrega pra infância
Quando corríamos pela praia sob a forte chuva de verão
Vê-lo carregar suas coisas me deu aquele frio na barriga de que minha hora está chegando, também.
Vê-lo ir embora, falando ao celular "Já terminei de arrumar minhas coisas, estou saindo agora", me fez ir com ele, mas meus pensamentos se perderam na imensidão de possibilidades de uma vida que eu nem conheço.
E no vazio que ele deixou, ficou também uma pergunta endereçada a mim, como se o futuro me batesse a porta cedo demais: